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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Lead Balloon

This is a note to my future self
I won’t make it to you,
So please send me help.
Não me sinto mais bem vinda em casa. Já faz algum tempo que me sinto assim, na verdade, mas nos últimos dias essa sensação se multiplicou intensamente. Sabe aquela história de que, quando é pra você crescer, o mundo te torna extremamente miserável ao ponto de que você é obrigado a mudar? Pois é.

Já não me sinto bem vinda em casa e, honestamente, em mais lugar algum. Ultimamente parece que a minha existência em si é um estorvo em qualquer lugar que eu vá. Eu sabia que a partir do momento que eu resolvesse abrir a boca e deixar de me omitir, as coisas iriam mudar. Eu só não esperava que fosse dessa maneira.

Me pergunto se sou realmente uma pessoa tão ruim assim. Porque parece que a única coisa que tenho feito ultimamente é magoar as pessoas à minha volta, mesmo que isso seja pra deixar de me magoar.

“Não se sinta culpado por fazer o que é melhor pra você”, diz uma imagem que vi no Facebook há poucas horas. E como não me sentir culpada quando parece que todo mundo se magoa quando eu faço exatamente o que eu sinto que é melhor pra mim? Quando o que é melhor pra mim não condiz com as espectativas dos outros e eles não conseguem lidar com isso, chegando ao ponto de dizer coisas tão cruéis que eu sinceramente não sei como aguento ouvir. É difícil não se sentir culpado quando simplesmente qualquer passo que você dá ofende alguém, quando qualquer palavra que você fala machuca.

A sensação que eu tenho é de que, se não estou destruindo a mim mesma, estou destruindo a todos os outros. Como se não houvesse um meio termo. Como se não fosse possível simplesmente não destruir alguma coisa.

E eu não sei quanto tempo mais eu consigo aguentar olhares de reprovação e decepção. Não sei quanto tempo mais eu aguento ficar onde não me sinto mais bem vinda. Não sei se vale a pena continuar onde a minha sinceridade machuca.

Eu disse que aceito o destino e me recuso a fugir, e isso ainda é verdade. Mas eu não preciso habitar numa dor que não pertence mais a mim.

3 comentários

  1. Terminei o post com um nó na garganta. Que pena que você se sinta assim. Que as pessoas te faça sentir assim. Sinto muito. Elas podem ser realmente muito cruéis quando não nos adequamos ao que eles querem. Nunca deveras ter vontade de fugir. Tem que falar, embora machuque. Não ligue muito para o que te apontam de errado. Sei que deve ser complicado conviver com os olhares tortos, as conversinhas ou até mesmo as caras de cu de quem menos esperamos, mas não se deixe abalar. Não se machuque pra que outras pessoas se sintam bem. Quando estiver se sentindo mal corra pra cá e desabafe e talvez se sinta mais leve. Se não, medite, ore e entregue nas mãos de Deus - se acreditar - pois ele nunca dá uma cruz tão pesada que não possamos carregar.

    Sinto muito que se sinta assim, mas mando energias positivas pra que você se recupere dessa vibe logo. Sinta-se abraçada.

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  2. Maria <3
    O que você escreveu me fez pensar numa leoa que as pessoas querem domar e transformar em gatinho doméstico. Ou quando um bebê chora e ninguém quer ouvir, mas ele precisa chorar pra se colocar no mundo. Você tá mais grandinha, fala e age.
    Não sei se faz sentido pra você, mas às vezes o mundo não nos aceita a precisamos ser um outro alguém. Mas se formos "outro alguém", não somos nós mesmas, e isso é uma morte em vida, sabe? Não se mate. Não é fácil quando todos parecem te mandar embora, e a gente nunca supera totalmente perder alguém que amamos, mas é válido buscar lugares e pessoas que te amem e aceitem como você é. Temos, sim, defeitos, manias, coisas que precisamos mudar, e ninguém é obrigado a nos engolir, mas precisamos de um lugar que nos permita sermos autênticas.
    Pensei nesse texto que escrevi, lendo o teu, fazendo esse comment, e não sei se te servirá de algo, mas espero que acrescente, se possível :>
    Mantenha-se forte. O mundo tenta esmagar a gente - e acho que o negócio é gritar de volta e continuar vivendo. Vivendo sendo você! :)
    Um grande e enorme beijo e um abraço apertado em celebração a esse movimento penoso, mas incrível!

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  3. De todos os seus textos que já li, creio que esse foi o que mais me identifiquei. Chega uma hora que todo mundo precisa mostrar as cartas que tem e jogar do seu próprio jeito, sendo esse "egoísta" ou não, e nossas jogadas SEMPRE vão afetar o adversário da próxima rodada, é inevitável. Um ponto que você usou e vale a pena reforçar: expectativas. Se você está sendo mais sincera que nunca e agindo da maneira que deve ser melhor para você, por mais que as palavras tentem te atingir jogue-as fora. Nós não somos responsáveis pelo que os outros esperam, dói aprender isso, dói ignorar o que a frustração causa no outro, mas se for pra continuar trilhando seu próprio caminho, vale a pena.
    Força <3

    Novembro Inconstante

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