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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Occultism 101



Quando eu tinha uns quinze anos, me deparei com um livrinho simpático chamado A Bíblia Satância. Eu tinha recém saído de uma fase meio louca da minha vida — sem ter a consciência de que uma pior ainda estava para se iniciar — e não sabia muito o meu lugar no mundo. Certo, acho que ninguém sabe isso aos quinze anos, mas vamos fingir que sim porque eu quero acreditar que realmente estava bem perdida naquele momento. Obrigada.

Aos poucos eu fui me aventurando um pouco mais no universo dos livros sobre ocultismo, já que o Satanismo LaVeyano não me convenceu totalmente. Digo isso porque é uma ótima filosofia e que eu aplicava muito bem à minha vida, mas eu sentia que faltava alguma coisa e fui me aprofundando mais em questões como magia e hermetismo. Bruxaria em geral também me fascinava, mas admito que nunca tive interesse pela Wicca. Enfim.

São mais ou menos 6 anos que eu estudo essas coisas e ainda estou longe de chegar a algum lugar — até porque estudo sozinha, sem ajuda de mestres e quase não tenho ninguém com quem conversar sobre isso; só estudo quando tenho tempo livre e minha mente ainda tem condições de entender alguma coisa complexa —, mas se tem algo que eu percebi ao longo do tempo é que tem texto pra caramba sobre as artes ocultas.

Seja lá a “escola” ou “vertente” que se siga, sempre tem muito a ser estudado. E por isso mesmo me peguei me perguntando o porquê de não existir uma graduação em ocultismo. Qual o motivo pelo qual não existe um Occultism 101? Por que não é possível, numa estrutura universitária, estudar sobre o hermetismo? Afinal, as leituras são tão vastas quanto aquelas encontradas nas ementas de vários cursos de humanas.

A resposta só me veio dia desses, enquanto eu lia um texto sobre a comunicação como ciência na universidade. O texto dizia que a universidade veio como uma instituição cuja função era produzir e transmitir conhecimentos além daqueles que são passados tradicionalmente numa sociedade. Embora as artes ocultas não sejam aplamente difundidas na nossa sociedade per se, não se pode ignorar o fato de que são tradições, são conhecimentos que não podem ser testados pelo metódo científico — ou qualquer outro método utilizado pela universidade. Sem falar nos céticos, muito presentes no ambiente acadêmico, que não se dão ao trabalho de tentar entender nada e ainda acham que alquimia é tentar transformar chumbo em ouro.

Por fim, o último e mais plausível motivo pelo qual tal graduação jamais poderia existir é que o papel da universidade é pedagógico e profissionalizante, coisa que a magia passa longe de ser. Magia e dons mediúnicos em geral jamais devem ser usados como um produto ou serviço a ser vendido, neste cenário só se deve fazer algo (magias, feitiços etc.) para outros por caridade, respeitando o livre arbítrio de cada um — motivo pelo qual as famosas “amarrações” são práticas abomináveis. O que as artes ocultas buscam, de fato, é o caminho próprio a ser seguido, a verdade universal dentro de cada um de nós. E embora existam vários livros e textos que discorrem sobre os mais diversos meios para se alcançar este objetivo final, o fato é que isso não há escola ou universidade alguma que possa ensinar.

» Eu sei que existe graduação em teologia, mas geralmente estes cursos são voltados para as religiões monoteístas e sua influência na sociedade, diferente daquilo que “proponho” com este texto.

2 comentários

  1. Entendo o que você sugere e acho interessantíssimo, de verdade! As universidades, em geral, pecam nessa história de só oferecer cursos pedagógicos e profissionalizantes. Acho que enquanto período de descobertas, de estudos, seria muito legal ter na grade cursos 'fora da linha', digamos assim. Na minha graduação eu tive 'Ensino Religioso' porém, assim como você pontuou, só focamos nas religiões monoteístas e mesmo assim a maior parte do tempo era dedicada ao cristianismo e afins. Gosto do assunto, do ocultismo, mas leio coisas esporádicas, não dá nem pra dizer que estudo. =/

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  2. Eu não entendo absolutamente nada de Ocultismo, mas achei a sua ideia muito interessante. Ainda assim, acho que não teria chance de um curso desses existir nas universidades, até por conta do preconceito que se tem acerca desse tema, infelizmente.

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