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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Relacionamento não é caridade


Confesso que só fui pensar no conceito de poligamia depois que entrei na faculdade, no começo de 2015. Claro que já tinha me deparado com os chamados “relacionamentos abertos” antes, mas nunca tinha me interessado pelo assunto, afinal, eu era monogâmica e ponto. Nunca havia me questionado se realmente gostava de ficar com uma só pessoa ou se seria uma experiência bacana ter mais de um namorico ao mesmo tempo. Isso mesmo, namorico, porque um fato sobre mim é que eu dificilmente tenho algo sério com alguém.

O fato é que, quando estou com alguém de quem realmente gosto, não tenho a mínima vontade de me envolver fisica ou emocionalmente com outras pessoas. Mesmo sem planejar, acabo dando exclusividade para a pessoa ‘cause that’s just how I roll. E em geral eu não tenho muitas regras em relacionamentos, mas uma coisa é certa: eu quero receber de volta aquilo que eu dou.

Durante um bom tempo achei que isso fosse egoísmo da minha parte. Achei que estava errada em querer ser exclusiva pra alguém num mundo onde todos gritam em todo canto que transar com outras pessoas não implica falta de amor para com a pessoa com quem se está relacionando mais intimamente. Ou até que cultivar paixões e outros sentimentos semelhantes por outros também é possível, sem deixar de amar nenhum deles. Sinceramente, eu não sei. E não tô aqui tentando saber. Onde eu quero chegar é que, por muito tempo, achei que era sacanagem tirar a liberdade de outra pessoa dessa maneira.

Até que eu percebi que liberdade não significa poder beijar várias bocas. Liberdade significa ter o poder de escolha. E o fato de eu impor algumas condições para me relacionar com alguém não tira esse poder da pessoa. Afinal, ela estar comigo é uma escolha dela e deixo-a livre para escolher ir embora a qualquer momento.

Ao exigir exclusividade num relacionamento, não estou tirando a liberdade de ninguém. A pessoa pode dizer não e seguir seu caminho livremente, e eu sigo o meu. Porque eu também tenho a minha liberdade e posso escolher não ter nada com alguém que não pode me dar exclusividade. Pedir isso não é egoísmo. Não é errado.

Relacionamento não é caridade. Quero de volta aquilo que eu dou.

6 comentários

  1. Eu tenho muitas opiniões contraditórias em relação ao assunto porque ao mesmo tempo que acho QUE TODO MUNDO PODE PEGAR TODO MUNDO, acredito que isso não traz NADA de crescimento pessoal pra ninguém. Sei lá, traz? Essa tão dita "liberdade" realmente faz sentido? Realmente traz felicidade? O que eu vejo são todas as minhas amigas que aderiram ao poligamismo reclamando que não acham ninguém que preste, na real. E só saem emocionalmente mais abaladas.
    To fora dessa modinha, sabe. Sou uma pessoa de uma pessoa só mesmo. Quando gosto de alguém, sou que nem você, gosto de ficar só com ela porque minha vibe é realmente ficar na rede deitado junto assistindo algum seriado ou sair de mãos dadas pra tomar sorvete. Eu gosto de cultivar as relações, ver onde elas podem dar e tudo mais. E enquanto não houver uma pessoa com a mesma vibe, mais vale é ficar sozinha.

    Beijo :)

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    1. Ah, miga, poder pegar pode, sabe. Mas se quer assumir um compromisso com uma pessoa, assuma um compromisso com uma pessoa, sabe? É chato ser a “careta” do rolê que beija uma boca só quando todo mundo fica meio que gritando pra você que isso é besteira, que não tem necessidade disso. Poxa, eu não vejo como pegar geral traz crescimento, e não entendo a necessidade de se envolver com outras pessoas quando já se tem uma que você ama e que te ama de volta, entende? Só isso. Relacionamento aberto/poligâmico não é pra mim. Se os outros quiserem, podem ter, mas se alguém quiser um treco desses comigo, não vai rolar, amar eu amo de graça, mas me relacionar com a pessoa é outra história, sabe? É aquela coisa: não tô tirando a liberdade de uma pessoa ao exigir exclusividade, só tô dando uma condição, porque relacionamento é basicamente um acordo, e a pessoa tem toda a liberdade do mundo pra dizer não, e aí eu sigo o meu caminho e ela o dela. Se ela quer ficar comigo e não aceita exclusividade, ela não fica comigo, porque eu também tenho o direito de escolher não me submeter a algo que não quero.

      Realmente, se não encontrar uma pessoa na mesma vibe que a nossa, ficar sozinha é o que há.

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  2. Tem alguns assuntos que são defendidos internet a fora dos quais eu sinceramente mantenho distância. Eu entendo perfeitamente que as pessoas tem o direito da escolha, mas nessa questão de relacionamentos abertos, quem os defende parece justamente esquecer que eu posso escolher estar em um ou não estar, simples. Não é nada que você precise protestar na Paulista, entende?
    Há umas semanas surgiu aquele estouro do assunto "A geração que não demostra afeto e que horrível" e eu sinceramente acho que é mais um exemplo disso que estou falando, se a pessoa quiser demonstrar ela pode, se não quiser ninguém tá obrigando, da mesma forma que não concordar com a questão do relacionamento aberto não me faz pré-conceituosa ou ultrapassada, eu só sei que me sinto melhor tendo alguém que se dedica a mim e eu a ele (?), basicamente como você mesma disse: quero de volta aquilo que dou, e não estou errada em querer isso na minha vida

    (Te indiquei pra uma Tag ontem http://novembroinconstante.blogspot.com.br/2016/08/tag-o-poderoso-chefao-beda-12.html)

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    1. Sim, amiga, é isso mesmo. Eu me envolvi com amizades que são justamente desse tipo, e tavam sempre “ai amiga, relaxa, só vai beijar umas boquinhas” quando eu tava meio meh na vida amorosa, como se beijar várias bocas resolvesse tudo. Não, não é assim. E eu tenho todo o direito de não me submeter a um relacionamento aberto se eu não quiser um, poxa.

      Sei lá, é complicado isso, relacionamento nenhum é fácil (sendo poli ou monogâmico, de qualquer maneira é complicado e dá trabalho), e eu não posso julgar os outros pelas escolhas deles, mas não vem com essa pra cima de mim não porque eu não quero.

      (nossa miga, pior tag pr'ocê me indicar porque eu sou um horror com livros UHAUAHA mas agradeço mesmo assim ♥)

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  3. É nessas horas que eu acho que o mundo todo deveria aderir à filosofia do DEIXA AS PESSOA.
    Nada contra ser poligâmico, ~~inclusive tenho amigos que são RISOS~~ mas há pessoas que são super felizes sendo monogâmicas e isso não é caretice/carência, é uma escolha. As pessoas são livres, como você mesma colocou. Se não quiser se relacionar comigo do jeito que eu gostaria, paciência, uai, tem outras pessoas por aí.
    Sexualidade/relacionamentos são coisas extremamente pessoais, e ficar enquadrando todo mundo numa caixinha (seja a do 'nooooossa que absurdo ser gay' ou a do 'nooooooossa que quadradona você beijando um só') é um erro gigante. Se os envolvidos no relacionamento estão bem, então tá tudo ótimo, segue o bonde. Se a gente se sente mal, já que não somos obrigados a nada, a gente deveria mesmo encontrar um relacionamento que seja recíproco e confortavel. Amen to that, sister!!

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  4. Baah, faz tempo que não paro pra dar pitaco, mas gosto da maneira como tu vem escrevendo, na real Mry, de textos antigos para os atuais tem uma grande diferença aí, enfim, i just feel it a little bit.

    Relacionamentos são um lance complicado né, eu nunca amei, na realidade meus loves duram alguns dias, semana com sorte, sei lá. Já tive relacionamento de 3 anos meu, dois morando junto, acredite se quiser rs Mas esse lance de ficar com vários, com um, com três, alone, putz, acho bem relativo, é tudo perspectiva, e como tu disse. Questão de escolha.

    Eu não paro com uma pessoa só, mas por 'n' motivo, tipo, não gosto de deixar amizade evoluir pra feeling, gosto de preservar ela, sempre que eu tiver a oportunidade de curtir com alguém vou curtir, pois a vida é agora, e assim vai. Maybe, um dia eu aquiete, não sei, mas enfim, ponto de vista, pessoal etc, não?

    Até mais <3
    xoxo

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