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domingo, 7 de agosto de 2016

Lá vem ela, ô

Caminhando pela rua
Lá vem a Maria Mulambo
Com Tiriri, Marabô e Tranca Ruas
Nessa última semana de férias, dediquei um pouco do meu tempo a ajudar na mudança do terreiro que frequento. Recentemente foi adquirida uma nova sede, mais espaçosa, para melhor atender a todos: tanto a assistência quanto os médiuns, já que o local antigo era um pouco apertado, digamos assim. Muitas das coisas que precisavam ser feitas eram trabalhos “brutos” (furar paredes, pintar, pendurar prateleiras) e eu não levo jeito nenhum pra isso, então acabei ajudando mais na manutenção da limpeza, coisas pequenas. Durante os intervalos que tirávamos para comer (ou conversar sobre qualquer coisa, really), fiquei trocando ideias com algumas pessoas.

Dia desses estive conversando com o Pai de Santo e acabei mencionando que considero a escrita uma das únicas coisas que sei fazer decentemente e um dos meus maiores sonhos é escrever um livro. Eis que ele me contou que a Pombagira que guarda a Mãe de Santo, dona Maria Mulambo, pediu que ele escrevesse a sua história, dos tempos em que era viva, mas ele nunca teve paciência pra isso. Disse que ela tinha contado toda a sua história e daria liberdade pra que ele enfeitasse como quisesse, desde que mantesse o enredo original. Perguntou-me se eu não queria fazer isso, e me contou toda a história.

Confesso que eu sou apaixonada por histórias de entidades — lembrando que existem mais de uma Maria Mulambo, então a história de uma pode ser diferente das de outras — e me animei bastante quando ele começou a me contar. As Pombagiras em geral me fascinam, porque eram mulheres que sabiam o seu valor, eram donas de si mesmas e faziam aquilo que tinham vontade. Ou pelo menos a maior parte delas era assim. Não preciso nem dizer que as histórias delas são extremamente inspiradoras, embora possivelmente trágicas em algum momento, não é mesmo?

Após ouvir aquela narrativa, só teve um pensamento na minha cabeça: “Que mulher!”. E eu com certeza queria muito escrever sobre ela. Prontamente disse ao Pai de Santo que poderia sim fazer isso, mas que teria que pedir permissão pra ela em primeiro lugar (eu jamais teria coragem de escrever sobre uma entidade para que outros lessem sem pedir permissão antes). Ele virou pra mim e disse:

— Ela pediu que eu acendesse uma vela para ela quando fosse escrever, e caso eu tivesse alguma dúvida ela viria no meu ouvido me contar o que fazer.

Gelei.

Minha Mãe que me desculpe, mas não sei mais se quero escrever, não...


2 comentários

  1. Hahaha, acho que eu não teria coragem também não! Embora tenha ficado bem curiosa com a história da Maria Mulambo. :)

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  2. Socorro! HAHA, acho que ficaria com receio de escrever e a entidade não gostar, imagina? Mas também fiquei bem curiosa pra saber sobre a história dela.

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