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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Sentimental demais

Quando é que a gente sabe que o sentimento acabou? Quer dizer, como é que a gente tem certeza que o sentimento realmente morreu e não está apenas adormecido em um cantinho escuro da nossa existência?



Doeu, sabe? A primeira vez que eu te vi. Jurava que jamais teria coragem de sequer falar contigo, e mesmo que conseguisse, não esperava que lembrasse de mim. Mas você lembrou. Você me viu e disse meu nome. Você lembrou do meu nome.

Talvez eu tenha mesmo a autoestima ruim, talvez eu seja mesmo insegura, por mais que eu goste de culpar outras coisas por esse meu comportamento, dizendo que na verdade existe uma razão lógica pela qual eu sou assim, e no fundo acho que sou só humana, uma que talvez não te agradaria de verdade.

E doeu, sabe? Descobrir que o seu mundo é justamente aquele do qual me distancio por culpa de traumas passados. Saber que o seu dia-a-dia é colorido em diversos detalhes que eu jamais seria capaz de suportar, mesmo que você não note isso. Perceber que, ainda que você compreenda os conceitos, as teorias e os materiais que compõem o universo, as cores da minha tela jamais fariam parte dos seus trabalhos.

Quem sabe se eu fosse para casa mais cedo hoje, ou se eu tivesse demorado mais aquele dia, ou se eu simplesmente tivesse apagado todos os rastros da sua existência na minha mente, eu não estaria escrevendo isso. Porque eu jurava que a sua imagem não iria mais me afetar tanto, que a sua voz não ia soar tão bonita, que o seu jeito de falar não ia me fazer ficar querendo ouvir por horas o que você tem a dizer, que os seus lábios não seriam tão macios e que o seu toque não seria suave a ponto de reacender um fogo cuja chama apaguei há tempos.

E ainda dói, sabe? Ver que você vive a sua vida como se nada tivesse acontecido, como se eu fosse apenas uma conhecida com a qual você esbarra vez ou outra. Não saber o que se passa em sua mente quando me vê, ou se lembra do que aconteceu e de como as coisas se desenrolaram. E eu poderia muito bem botar toda a culpa no momento, na minha impulsividade, na minha impaciência, na maneira como o mundo girou e a brisa bateu e a posição dos astros e todo o resto das variáveis que nos levaram justamente àquele ato, naquela noite... Mas eu não consigo.

Eu me calo, eu dou as costas, eu finjo que não vejo. Eu morro por dentro.

Eu queria mesmo não ser sentimental assim.

13 comentários

  1. Não era esse layout da outra vez que visitei, que coisa mais bonitinha! ♥
    Adorei os gatinhos pretos espiando do menu, achei a sua cara!

    E sobre essa carta, bem, right in the feels!
    Sempre gostei da maneira como você escreve, tudo sempre me soa sincero e visceral. Claro que eu nunca sei se é real ou não, mas acho que a graça também mora justamente nisso, o não saber. Ficar imaginando se isso tudo é real ou não me intriga, e sempre deixa teus textos ainda mais interessantes.

    De qualquer forma, será que o destinatário não merecia saber disso tudo? Sei lá, às vezes fico imaginando o que de fato aconteceria se enviássemos as cartas que escrevemos.

    Um beijo!

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    1. É, eu definitivamente não sei parar com os layouts. :(

      Nhww, obrigada. <3 E olha, esclarecendo sua dúvida: alguns textos são reais, outros não (mas nunca direi quais, fica a dúvida no ar~), mas o sentimento por trás é sempre real, mesmo que a situação possa ter sido imaginada. :3

      E o destinatário provavelmente deveria saber sim, mas eu não vou abrir meu coração pra quem não se abre pra mim. :x

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  2. Eu comentei já, mas eu acho que deu erro... Se for o comentário duas vezes, perdão haha
    Sim, a vida nos expõe a traumas mesmo, quase que o tempo inteiro, e não temos nada além do que aprender a lidar com isso. E não servir na vida de alguém que gostaríamos é tipo a pior merda que pode acontecer. É horrível :(

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    1. Eu faço o que eu posso pra lidar com isso, sabe. Mas é complicado. Toda vez que conheço alguma pessoa que tem a ver com esse trauma em específico, fico com um pé atrás, mas no fim acabo virando amiga e nem é algo tão ruim assim... Mas continuo fugindo! D:

      É horrível mesmo, mas também não sei se essa pessoa serviria na minha vida... Só tentando pra saber, e eu já tô chutando o balde. :3

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  3. Miga até hoje olho meu primeiro namorado e fico tipo: :|||||| amei seu texto. eu sei mais ou menos como é isso. sabe, to noiva, eu mudei de estado pra ficar c o cara, amo meu noivo mais que qualquer coisa, mas algumas lembranças ainda são meio tensas de se fugir HAHUAHUHUAHUA te entendo :|||

    LEMBRO DE TI SIM NAO VEM NAO hahaha logico q lembro <3

    experimenta o hamburguer sim, mó bom!

    bjossss http://sugar-dance.org

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    1. Acho que, mesmo que a gente supere e não tenha mais ferida pra cutucar, ainda tem cicatriz, e não tem como se desfazer disso. Mas é bom ao mesmo tempo que a gente vê que a gente evolui né. Ou pelo menos eu gosto de pensar assim, haha.

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  4. Eu preciso me afastar de uma pessoa mas não consigo. Os momentos maravilhosos com ela me fazem ficar.
    Parece um tipo de masoquismo querer que doa.
    | A Bela, não a Fera |
    | FB Page A Bela, não a Fera|

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    1. É complicado mesmo. Eu até consigo me afastar das pessoas, mas momentaneamente. Depois, quando eu acho que tá tudo de boa, volto a falar com a pessoa e não tá, sabe? Exatamente como nesse texto, HAHA.

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  5. Não tem nada que dói mais nessa vida do que se sentir indiferente aos olhos do ser amado. Dói muito, mas também ensina. E quando a dor passa, dá um alívio, uma sensação de leveza. Se você se permitir... ;-)

    Beijinhos

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    1. Acho que "ser amado" seria uma maneira muito forte pra definir o que essa pessoa significa pra mim, mas essa indiferença dói mesmo de qualquer jeito, haha. E olha, já fiquei com essa sensação de leveza logo que terminei de escrever esse texto, então é só uma questão de tempo mesmo, hihi.

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  6. Doeu ler esse texto, mas apesar de doído ele ficou muito bonito.
    Forças guria!

    Beijo

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    1. Se serve de consolo, doeu pra escrever também, HAHA. Muito obrigada! :3

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  7. Eu não sei se acredito num destino fixo e soberano das nossas vidas, mas acredito num destino que coloca pessoas na nossa vida, e talvez a pessoa pra quem esse texto está dedicada (ou não, pode ter sido só uma brisa louca depois de uma música meio deprê) foi colocada no seu caminho por alguma razão, ainda que seja quebrar a cara 8D''' Mas eu gosto desse texto sentimental - quer dizer que por detrás da carne e dos ossos tem um coração que pulsa, uma existência pulsante.

    Desculpa aí pela brisa, Maria -q

    Respondendo seu comentário, aproveitei minha férias, obg <3 e eu não sei se te recomendo algum kpop, porque quando as pessoas me recomendam, altas chances de eu achar bem sem-graça. B1A4 manteve o mesmo estilo desde o debut, então se você quiser ver mais músicas deles, talvez continue agradando <3
    Sobre colorir, fazer minhas coisas me frustra porque eu tenho uma imaginação fantástica, mas não tenho habilidade pra concretizar o que eu penso XDDD Então eu acho que pra relaxar, o negócio é só colorir mesmo. Até que funcionou bem, me senti nostálgica 8D
    E eu to meio confusa se estou no blog certo, porque tem uns arquivos antigos ali. Estou? Sou a perdida, wtf -q

    Beijos Mariaaaaaa <3

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